Em 2025, o viajante mudou a pergunta. Em vez de apenas decidir para onde ir, passou a escolher o que quer viver. Essa mudança de comportamento ajuda a explicar por que o turismo registrou um de seus maiores volumes históricos e, ao mesmo tempo, entrou em uma nova fase de maturidade.

Segundo dados consolidados da UN Tourism – World Tourism Barometer, mais de 1,5 bilhão de viagens internacionais foram realizadas ao longo do ano, confirmando não apenas a força da retomada global, mas também um turismo mais consciente, planejado e orientado por experiências — movimento que se consolida como tendência estrutural para 2026.
O crescimento do turismo em 2025 não se deu apenas em volume, mas em qualidade da experiência buscada. Análises de comportamento do viajante mostram que gastos com atividades, vivências locais, gastronomia e bem-estar cresceram mais rapidamente do que despesas tradicionais, como transporte e hospedagem, indicando uma mudança clara na forma de consumir viagens.
Esses dados também revelam que os turistas passaram a ficar mais tempo em menos destinos, priorizando profundidade em vez de quantidade — um movimento observado em diferentes mercados e destacado em levantamentos internacionais sobre preferências de viagem para 2026.
Tecnologia: do planejamento à vivência

Outro fator decisivo de 2025 foi a incorporação definitiva da inteligência artificial no planejamento de viagens. Plataformas de busca e pesquisa passaram a atuar como curadoras, influenciando escolhas de destinos, períodos ideais e experiências, como aponta o relatório de tendências globais de viagem da Skyscanner.
Para a indústria do turismo, esse avanço representa uma mudança estrutural: tecnologia deixa de ser apenas suporte operacional e passa a influenciar diretamente a criação, distribuição e comunicação dos produtos turísticos.
Sustentabilidade como critério de escolha
Paralelamente à tecnologia, a sustentabilidade ganhou peso real nas decisões de viagem. Reportagens recentes da BBC Travel apontam que cada vez mais viajantes consideram impacto ambiental, preservação cultural e benefícios às comunidades locais como critérios relevantes na escolha de destinos e experiências.


Esse movimento impulsionou o crescimento do turismo de natureza, das experiências comunitárias e de propostas de baixo impacto ambiental — não mais como nicho, mas como parte central da oferta turística global.
O desempenho do Brasil em 2025 reflete diretamente esse novo cenário. Dados oficiais mostram que o país encerrou o ano com 9,3 milhões de turistas internacionais, o maior número já registrado.
Mais do que o volume, chama atenção a diversidade de experiências procuradas. Natureza, cultura, grandes centros urbanos, eventos e gastronomia dividiram a atenção dos visitantes, com destaque para destinos urbanos, regiões do Nordeste, do Sul e áreas de turismo de natureza, ampliando o posicionamento do Brasil além do tradicional sol e praia.
O que os dados de 2025 indicam para 2026
A leitura do último ano aponta para um turismo em transformação contínua. Relatórios do World Travel & Tourism Council (WTTC) indicam que o setor segue como um dos principais motores da economia global, ao mesmo tempo em que passa por um processo de sofisticação do consumo.
Para 2026, três movimentos devem seguir moldando a indústria:
- Experiências como eixo central da viagem
- Tecnologia como infraestrutura básica
- Sustentabilidade integrada à proposta turística
Com a retomada consolidada e novos comportamentos em evidência, o turismo entra em 2026 como uma das indústrias mais dinâmicas do cenário global. Mais do que indicar para onde as pessoas estão viajando, os dados revelam algo mais profundo: viajar passou a ser uma decisão sobre como viver o tempo, o lugar e a experiência.